Ninguém é 100% descolad@, pelo menos enquanto viver em sociedade. “Descolar-se” implica em romper bloqueios e ninguém vai conseguir romper todos os seus bloqueios sem destruir, ao mesmo tempo, a maior parte dos vínculos que nos mantêm ligados às outras pessoas. Viver em sociedade nos obriga a renúncias recíprocas em favor de ganhos recíprocos. Impossível livrar-nos inteiramente de todos os enquadramentos sócio-político-culturais a que fomos submetidos desde antes de nascer; sempre seremos um “produto mal-acabado” do lugar e da época em que estamos vivendo. Mas perceber isso já é um grande passo para nos desencanar de muitos dos malditos, terríveis e totalmente dispensáveis “padrões de conduta” que anulam a nossa criatividade e inibem a nossa espontaneidade. Ser descolad@ significa ser livre, senão de todas, pelo menos das amarras e condicionamentos que mais flagrantemente sufocam a expressão plena da minha identidade como, por exemplo, vestir-me do modo que eu quiser, sabendo que a minha identidade não está nas roupas que eu visto, mas valores que eu pratico e na maneira como eu me apresento e me Leia Mais ⇒


Tudo em mim é rascunho, tudo é provisório, nada há de definitivo no meu ser. Tudo é canteiro de obras, laboratório, oficina. Tudo está prestes a terminar mas não termina. Vivo de buscar o que está sempre mais além ou que ainda nem existe para ser buscado ou que só é descoberto – ou fabricado – no próprio curso do seu encalço. Nada em mim é tranqüilidade ou repouso. Nada é fixo ou imutável. Tudo balança, confunde, embaralha e se agita, mesmo na completa ausência de vento.
Minha essência? Que essência? Eu só existo enquanto estou existindo. E nunca sobrevivo o tempo suficiente para contar quem eu fui. Opção?Mas que outra opção pode ter quem optou em ser? Ou abraço o desconhecido ou me torno estátua de mim mesmo. Ou me converto em realidade ou viro fantasma de alguém que eu nunca fui. Ou me arrisco a viver ou me risco do mapa da vida. Ou atravesso o abismo do meu medo sem rede de proteção ou me atiro em queda livre do alto do edifício dos meus sonhos, sem a menor chance de continuar emocionalmente vivo depois do tombo. Ou corro desorientada atrás meu desejo ou viro pedra, político, regra, padrão, fóssil, santa, relíquia, museu.
Viver foi sempre muito mais perigoso do que me disseram. Não viver, infinitamente mais doloroso do que ninguém nunca me disse. Talvez para que eu descobrisse por mim mesma, talvez para eu continuar iludido como todos, talvez por não saberem mesmo, o que é mais provável, porque quase ninguém sabe que gosto tem a vida. Todos se acham vivos sem perceber que já morreram e continuam esperando eternamente por uma ressurreição. Sem saber que não há nenhuma diferença entre ser e não ser; que ser é ser e não ser, ao mesmo tempo. Ninguém se aborreça em me contestar com suas raivas vivas e doutrinas mortas. Não estou certo nem errado: – estou vivo, e não tenho outra escolha senão ser assim, rude e suave, lerdo e ousado, confusamente claro e incisivo. Livre das tabuinhas de salvação e das garantias ingênuas de vida eterna. Longe da proteção de estruturas caducas e sinistras que ainda governam a humanidade. Vivendo a céu aberto, de peito aberto, aberto a todas as intempéries, sem nenhuma defesa, completamente entregue ao tsunami da minha própria transformação.
Faz tanto tempo que estou na estrada que já não resta quase nada da arquitetura que eu tinha ao partir. Meus traços originais (mas será mesmo que os tive?) fundiram-se tão completamente aos traços que fui somando ao longo do caminho que não se nota mais nenhuma diferença entre o meu projeto de vida e a minha própria existência. Se quiser falar comigo, venha, mas venha logo. Gosto muito pouco de ficar parado aonde eu chego e ainda continuo permanentemente de partida. Se me encontrar, caso eu ainda me encontre por aqui, fique atento para não me perder de vista de repente. De uma hora para outra posso não ser mais a pessoa que você encontrou há instantes atrás. Geraldo Eustáquio de Souza/ Letícia Lanz, junho de 2011.



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Masculinidade, Globalização e Escalada da Violência

Autor: Victor Seidler(*) É importante ver como se constroem as masculinidades em diferentes culturas, mas também é importante ter uma ideia das masculinidades que predominam no Ocidente, e das formas que foram normalizadas. Uma vez que foram institucionalizadas, outras formas de masculinidade foram consideradas perversas, desviantes ou anormais. É isso que eu tenho tentado investigar: Leia mais →

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Muito Além do Binômio Masculino-Feminino

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